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Prevenir inclui Remediar
Sonafe Brasil / Saulo Delfino Barboza - quarta, 13 de fevereiro de 2019


por Saulo Delfino Barboza, fisioterapeuta sócio Sonafe Brasil

Já ouviu “prevenir é melhor que remediar”? Esta frase vem sendo dita e transferida de geração para geração, transmitindo uma sabedoria popular importantíssima: é melhor evitar que um problema aconteça (prevenir) do que lidar com as consequências do problema depois dele ter aparecido (remediar). Em alguns casos, poderíamos até dizer “prevenir é mais barato que remediar”. A questão é que prevenção é um processo configurado em níveis. Na prática, para prevenir algo, é fundamental conhecer os níveis de prevenção.

A prevenção primária trata de reduzir a probabilidade de um problema acontecer. A prevenção secundária se preocupa em detectar, o mais precocemente possível, fatores que possam aumentar a probabilidade de um problema acontecer e agir para reduzir/eliminar tais fatores. A prevenção terciária trata de resolver ou amenizar as consequências de um problema que surgiu mesmo com os cuidados tomados na prevenção primária e secundária. A prevenção terciária, portanto, é o tão dito “remediar”, ou seja, agir para redução/eliminação das consequências de um problema que já ocorreu.

A prática de atividade física e/ou esporte é um exemplo importante de prevenção primária. Um estilo de vida fisicamente ativo traz inúmeros benefícios para a saúde e reduz a probabilidade de uma série de doenças ocorrerem. Entretanto, a prática de atividade física e/ou esporte não inclui só benefícios. Lesões corporais decorrentes da prática de atividade física e/ou esporte, por exemplo, são consequências negativas deste hábito saudável. Felizmente, é possível prevenir lesões decorrentes da atividade física e/ou esporte. Lembre-se: prevenir inclui remediar.

Imagine um fisioterapeuta esportivo realizando um trabalho preventivo com seus atletas. Para que os atletas usufruam ao máximo dos benefícios que o esporte traz para a saúde e para que não tenham seu desempenho esportivo comprometido, o fisioterapeuta está interessado em prevenir possíveis lesões. Pensando em prevenção primária, que trata de reduzir a probabilidade de lesão durante sessões de treinamento e competição, o fisioterapeuta oferece um programa de aquecimento logo antes das sessões. Os atletas utilizam equipamento esportivo e de proteção adequados. O fisioterapeuta se certifica que os atletas e os profissionais ao redor deles compreendam a importância da prevenção de lesões no esporte e negocia a responsabilidade de cada um para reduzir a probabilidade de lesões ocorrerem no seu dia a dia.

Atuando na prevenção secundária, o fisioterapeuta se preocupa em detectar, o mais precocemente possível, fatores que podem favorecer a ocorrência de lesões e toma providências para reduzir ou eliminar tais fatores. A avaliação fisioterapêutica dos atletas durante a pré-temporada e as ações baseadas nos resultados da avaliação é um exemplo de prevenção secundária. Outro exemplo é o monitoramento sistemático de queixas de saúde dos atletas. Assim, é possível detectar problemas de saúde de maneira precoce e tomar providências cabíveis, como no caso de lesões graduais, por exemplo. Entretanto, por mais que o fisioterapeuta e sua equipe se dediquem aos processos de prevenção primária e secundária, lesões vão aparecer. A prevenção terciária é o processo de tratamento/reabilitação/recuperação da lesão que ocorreu mesmo com os esforços realizados na prevenção primária e secundária. Remediar faz parte.

A divisão do processo de prevenção em 3 níveis (ou mais) é importante para organizar a atuação de profissionais e dos sistemas de saúde. Na prática, todo profissional da saúde atua em um ou mais níveis de prevenção. Teoricamente, um sistema de saúde eficiente abordaria todos os níveis de prevenção. Assim, esforços permanentes seriam realizados para reduzir ao máximo a chance de problemas de saúde (ou lesões no esporte) aparecerem e para manter vigilância constante afim de detectá-los e eliminá-los o mais precocemente possível.

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