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Sono e o risco de lesões | Comissão de Corrida, Ciclismo, Esportes Aquáticos e Triatlo
SONAFE Brasil - sexta, 19 de junho de 2020


Nada como esse período conturbado, de grande impacto social e econômico para abordamos a relação de uma importante variável com o risco de desenvolvermos lesão: O SONO.

Algumas cidades, já estão implementando algumas medidas de abertura e dentre elas está a liberação da prática de atividades físicas ao ar livre, uso de calçadões e banho de mar.

Esta medida afetará principalmente nossa população de corredores de rua, ciclistas e os esportes marítimos, que poderão retomar suas práticas.

É imprescindível que esse retorno seja gradativo, e que os atletas e praticantes de atividade física façam o melhor manejo possível da exposição de carga de acordo com comportamento das variáveis que possam expor a maior risco de lesão.

Sinais e sintomas de ansiedade e depressão parecem estar mais prevalentes nesse momento atual e a literatura aponta íntima relação entre níveis de ansiedade e qualidade de sono (1) . Estudos recentes mostram associação entre restrição e má qualidade do sono e surgimento de lesões ( 2–4) .

(5) Estudos recentes mostram que atletas adolescentes que dormem menos de 8 h /noite apresentam 1,7 vezes mais chances de sofrer uma lesão significativa do que aqueles que dormem mais de 8 h (6) . Nos EUA, um estudo com mais de 7000 soldados do grupo de operações especiais do exército americano, foi observado que os militares que dormiram menos de 4h foram 2,35 (IC 95%: 1,89-2,93, p <0,01) vezes mais propensos a sofrer uma lesão musculoesquelética em comparação com aquelas que dormiram 8 h. (7)

Os mecanismos fisiológicos envolvidos ainda não foram totalmente elucidados, mas parece que que há repercussões maiores a níveis centrais do que periféricos, tendo a função neurocognitiva como a maior prejudicada 2 . Assim podemos observar que de alguma forma nossa capacidade de resposta a carga do estresse da atividade física estará reduzida após uma noite de sono restrita ou de má qualidade e consequentemente um ajuste da demanda deve ser revisto para minimizar o risco de lesão.

Eduque seu atleta, forneça a ele a melhor ferramenta de gestão de risco que pode existir nesse momento: INFORMAÇÃO.


REFERÊNCIAS:

1. Copenhaver EA, Diamond AB. The Value of Sleep on Athletic Performance , Injury , and Recovery in the Young Athlete. Pediatr Ann. 2017;46(3):106–11.

2. Duffield R, Hammes D, Coutts AJ. Sleep and Athletic Performance : The Effects of Sleep Loss on Exercise Performance , and Physiological and Cognitive Responses to Exercise. Sport Med. 2014;

3. Irwin MR. Sleep and inflammation: partners in sickness and in health [Internet]. Vol. 19, Nature Reviews Immunology. Springer US; 2019. p. 702–15. Available from: http://dx.doi.org/10.1038/s41577-019-0190-z

4. Simpson NS, Gibbs EL, Matheson GO. Optimizing sleep to maximize performance : implications and recommendations for elite athletes. Scand J Med Sci Sport. 2017;27:266–74.

5. Duffield R, Hammes D, Coutts AJ. Sleep and Athletic Performance : The Effects of Sleep Loss on Exercise Performance , and Physiological and Cognitive Responses to Exercise. 2015;161–86.

6. Milewski MD, Skaggs DL, Bishop GA, Pace JL, Ibrahim DA, Wren TAL, et al. Chronic lack of sleep is associated with increased sports injuries in adolescent athletes. J Pediatr Orthop. 2014;34(2):129–33.

7. Grier T, Dinkeloo E, Reynolds M, Jones BH. Sleep duration and musculoskeletal injury incidence in physically active men and women : A study of U . S . Army Special Operation. Sleep Heal J Natl Sleep Found [Internet]. 2020;(xxxx):8–13. Available from: https://doi.org/10.1016/j.sleh.2020.01.004



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