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Terapia Manual no Esporte | Comissão de Lutas
Comissão de Lutas Sonafe Brasil - segunda, 10 de agosto de 2020


Sabemos que a aplicação de diversas técnicas e conceitos de terapia manual (TM) vem crescendo substancialmente no cenário esportivo, sendo estas as mobilizações e manipulações articulares, liberações miofasciais, massagens, quiropraxia, osteopatia, rolfing, entre outras ¹. Neste artigo vamos discorrer sobre alguns dos principias conceitos que embasam essas intervenções.

Inicialmente é importante esclarecer que qualquer prática esportiva independente da modalidade, gerará uma exigência específica para o movimento corporal, recrutando grupos musculares envolvidos nos gestos esportivos. Certamente, este fator quando associado à repetitividade gestual, altas cargas e volume de treinamento cronicamente, podem contribuir para sobrecarga nestes grupos musculares e tecidos associados 2,3 .

Nesta perspectiva, atualmente, é indissociável falar da TM no esporte sem falar sobre o tecido fascial (TF), o qual é denominado como uma unidade funcional no corpo humano, considerando que a fáscia está presente em diversos tecidos corporais como o adiposo, bainhas neurovasculares, aponeuroses, fáscias profundas e superficiais, derme, cápsulas articulares, ligamentos, membranas, meninges, periósteo, tendões, fáscias viscerais, bem como os tecidos conjuntivos intramusculares e intermusculares, entre outros 4 .

 Em suma, a fáscia recobre e penetra todos estes tecidos, e através de suas interconexões constituem um sistema de continuidade tridimensional que permeia todo o corpo e permite que todos os sistemas corporais operem de maneira integrada durante qualquer movimento.

Em recente consenso publicado em 2018 ¹, elaborado por especialistas que atuam com TM e fáscia, os autores destacam que alguns fatores podem interferir negativamente na saúde do TF contribuindo para a redução de desempenho e surgimento de lesões no esporte. Dentre vários fatores citados, a carga excessiva ou prolongada de treinamento e competição e os traumas diretos nos tecidos fasciais (comumente observados no esporte) são conhecidos como desencadeadores de alterações fisiológicas que resultam na modificação da função mecânica saudável da fáscia, reduzindo o deslizamento de suas camadas, sua capacidade de transmissão de tensão, amplitude de movimento, assim como reduzindo a passagem dos fluidos locais.

Em contrapartida, o consenso aponta que as intervenções de TM demonstraram melhorar a flexibilidade, a recuperação da dor muscular pós exercício, diminuição de dor e sensibilidade de pontos de tensão, efeitos estes, justificados pelos mecanismos de aumento da perfusão arterial sanguínea, aumento do deslizamento das camadas fasciais e redução da excitabilidade gerada por fatores nocivos que contribuem para a dor.

Certamente a escolha da intervenção de TM adequada para cada caso dependerá da avaliação realizada pelo profissional, sempre levando em consideração o raciocínio clínico, queixas e objetivos terapêuticos almejados para cada atleta.

O que fica evidenciado, é que a TM pode contribuir no processo de recuperação pós exercício, reabilitação e prevenção de lesões, auxiliando diretamente na manutenção e retorno ao esporte dos nossos queridos atletas!


1- Zügel M, et al. Fascial tissue research in sports medicine: from molecules to tissue adaptation, injury and diagnostics Br J Sports Med, 2018;1–9.

2- Barr AE, Barbe MF. Inflammation reduces physiological tissue tolerance in the development of work-related musculoskeletal disorders. J Electromyogr Kinesiol, 2004;14:77–85.

3- Gao HG, Fisher PW, Lambi AG, et al. Increased serum and musculotendinous fibrogenic proteins following persistent low-gade inflammation in a rat model of long- term upper extremity overuse. PLoS One 2013; 871-875.

3- Adstrum S, Hedley G, Schleip R, et al. Defining the fascial system. J Bodyw Mov Ther, 2017; 21:173–7.



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