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O uso da Crioimersão para diminuir a dor muscular tardia do atleta
Christiane Macedo, Fernanda Pesenti, Vanessa Santos - terça, 30 de maio de 2017


Após a prática de exercício físico intenso em treinamentos e competições é comum que o atleta apresente desconforto ou dor muscular, que atrapalham o rendimento esportivo. Esta dor é também chamada de dor muscular de origem tardia (DMOT), surge até 24 horas, atinge seu pico entre 24 e 48 e diminui entre cinco e sete dias.

A DMOT acontece devido ao acúmulo de ácido lático no músculo e lesões do tecido conjuntivo, causando inflamação, que podem comprometer o desempenho esportivo (Larsen et al., 2017). Na presença da dor, ocorre um breve período de perda de desempenho conhecido como overreaching funcional (muito frequente no treinamento de alto rendimento). Entretanto, o overreaching funcional pode evoluir para um overtraining, quando o período de recuperação não é adequado e as alterações físicas e emocionais se tornam prolongadas, estando associadas a perda de desempenho por períodos maiores de tempo.

Nenhum atleta quer ou pode perder tempo ou rendimento! Para isso, acelerar a recuperação após um grande esforço físico é essencial para a continuidade e melhora do desempenho em qualquer esporte. Visando acelerar a recuperação após exercícios (recovery) e oferecer melhores condições fisiológicas para o desempenho dos atletas, a crioimersão sistêmica (imersão do corpo todo) é utilizada.

Figura 1: Uso da crioimersão por atleta de futebol, após treinamento.

A crioimersão tem sido realizada por décadas como estratégia de recuperação pós-exercício em uma variedade de esportes. A aplicação de frio diminui a dor, reduz o processo inflamatório e ajuda a recuperação muscular (Macedo et al, 2016). É a forma mais popular de recuperação nos esportes; porém, algumas considerações são muito importantes e devem ser observadas:

Por outro lado, não foram encontradas melhoras ou pioras para a inflamação muscular (Hohenauer et al, 2015), controle postural ou equilíbrio (Tano et al. (2015) e recrutamento/contração muscular (Thain et al., 2015), após 24, 48 ou 72 horas da crioimersão. Mas, Baylei et al. (2007) encontraram que a contração dos músculos que flexionam o joelho (músculos isquiotibiais) ficou diminuida até 48 horas após a aplicação como demonstrado na tabela abaixo. 


Benefícios comprovados
Benefícios ainda não comprovados
DorDiminuição da inflamação muscular
FadigaMelhora do Controle postural/equilíbrio
Melhor Desempenho no dia seguinte 
Alteração do recrutamento/contração muscular 


Assim, os atletas continuam a utilizar com frequencia a crioimersão, com base em seus bons efeitos subjetivos de melhora da dor e fadiga. Acreditamos que a escolha deste recurso de recovery deve ser realizadadeterminada entre todos os profissionais do esporte (fisioterapeutas, fisiologistas, técnicos, preparadores físicos, médicos, etc) e de comum acordo com o atleta, em função do período de treinamentos e competições, com objetivos claros e adequados.

AUTORAS
Christiane de Souza Guerino Macedo – Fisioterapeuta, Doutora em Reabilitação e Desempenho Funcional FMRP/USP, Especialista em Fisioterapia Esportiva/SONAFE, sócia SONAFE.
Fernanda Bortolo Pesenti – Fisioterapeuta, Mestre em Ciências da Reabilitação/UEL.
Vanessa Batista da Costa Santos – Fisioterapeuta, Mestre em Educação Física UEL/UEM.


REFERÊNCIAS
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