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Ciclismo - Principais Incidências de Lesões
Sonafe Brasil - domingo, 19 de agosto de 2018


Por Guilherme Ribeiro Branco (CREFITO-4 70407-F)

O uso da bicicleta ao redor do mundo é bastante popularizado, atuando em papéis importantes como meio de transporte, recreação, atividade desportiva amadora ou competitiva, treinamento físico e até mesmo reabilitação (DETTORI, NORVEL, 2006; GALVÃO et al., 2013). O Brasil é o terceiro produtor mundial de bicicletas, detendo a quinta frota do planeta (BRASIL, 2007) e, de 2017 a 2018, houve um aumento acumulado da produção de bicicletas em cerca de 10% (ABRACICLO, 2018), o que sugere o crescimento do número de seus usuários.

De modo geral, por ser uma atividade que não envolve descarga direta de peso sobre os membros inferiores, acredita-se que as lesões decorrentes do ciclismo, com exceção das traumáticas, sejam menos prováveis (BRANCO, 2015).

No entanto, analisando-se os padrões de posicionamento e de movimento durante a prática do ciclismo, podem-se notar a realização de movimentos repetitivos com os membros inferiores e a manutenção de posturas relativamente sustentadas de tronco e membros superiores. Desse modo, há a presença dos dois principais fatores que podem modificar as propriedades do tecido musculoesquelético (SAHRMANN, 2002), o que pode acarretar em sobrecarga de determinados segmentos e estruturas corporais e, por sua vez, aumentar o potencial para lesões.

Além disso, o período de duração dos treinamentos e das competições é bastante elevado. Assim, a associação desses fatores pode acarretar lesões por sobrecarga (overuse), que são peculiares ao ciclismo (THOPMSOM et al., 1996), podendo ocorrer em ciclistas que praticam a atividade regularmente e, especialmente, naqueles envolvidos com prática competitiva.

Um estudo recente (BRANCO, 2018) identificou que características musculoesqueléticas individuais do ciclista (força, mobilidade articular e postura, por exemplo) e de seu posicionamento sobre a bicicleta estão de fato relacionados às principais lesões que acometem estes esportistas. Assim, para tratamento e prevenção de lesões nestes atletas, faz-se necessária a análise de seu posicionamento dinâmico sobre a bicicleta e das suas características musculoesqueléticas.

De modo geral, a escassez de informações em relação ao adequado posicionamento corporal (ergonomia) no ciclismo faz com que grande parte dos praticantes não ajuste adequadamente seu equipamento, podendo provocar desconfortos, o que pode ser um dos motivos de abandono ao esporte (CARMO, 2002; MARTINS et al., 2007).

Assim, de modo a aumentar a longevidade da sua prática, bem como assegurar conforto, performance, tratamento ou prevenção de lesões, procure um fisioterapeuta esportivo especializado para otimizar seu relacionamento com a sua bike.


ABRACICLO. Produção de bicicletas 2018. Disponível em: <http://www.abraciclo.com.br/images/pdfs/Dados_Bicicleta/2018__4__Produ%C3%A7%C3%A3o_de_bicicletas_-_RESUMO.pdf>. Acesso em 05 de julho de 2018. 

BRANCO, G.R. Fisioterapia esportiva em ciclismo: uma proposta de abordagem preventiva. In: Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva; Mendonça LM, Oliveira RR, organizadores. PROFISIO Programa de Atualização em Fisioterapia Esportiva e Traumato-Ortopédica: Ciclo 4. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2015. p. 10-68. (Sistema de Educação Continuada a Distância, v. 4).

BRANCO, G.R. Fatores musculoesqueléticos e de posicionamento sobre a bicicleta associados à ocorrência de dor anterior no joelho em ciclistas de mountain bike. Dissertação (Mestrado – Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho Funcional) – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Diamantina, 2018.

BRASIL. Ministério das Cidades, Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Humana. Programa Bicicleta Brasil. Programa Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta. Brasília (DF); 2007.

CARMO, J. C.; NASCIMENTO, F. A. O.; COSTA,  J. C.; ROCHA, A. F. Instrumentação para aquisição e avaliação das forças exercidas nos pedais por ciclistas. Braz J Biomech 2002;2(3):31-39.

DETTORI, N.J.; NORVELL, D.C. Non-traumatic bicycle injuries - a review of the literature. Sports Med, n.36, v.1, p. 7-18, 2006.

GALVÃO, P.V.M.; PESTANA, L.P.; PESTANA, V.M.; SPÍNDOLA, M.O.P.; CAMPELLO, R.I.C.; SOUZA, E.H.A. Mortalidade devido a acidentes de bicicletas em Pernambuco, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, n.18, v.5, p.1255-1262, 2013.

MARTINS, E. A.; DAGNESE, F.; KLEINPAUL, J. F.; CARPES, F. P.; MOTA, C. B. Avaliação do posicionamento corporal no ciclismo competitivo e recreacional. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, n. 2, v. 9, p.183 -188, 2007.

SAHRMANN, S.A. Diagnosis and treatment of movement impairment syndromes. St. Louis: Mosby; 2002.

THOMPSON, D.C.; NUNN, M.E.; THOMPSON, R.S.; RIVARA, F.P. Effectiveness of bicycle safety helmets in preventing serious facial injury. JAMA. 1996 Dec;276(24):1974-5.




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