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Prevenção de Lesões no Futebol Americano
Sonafe Brasil - terça, 11 de dezembro de 2018


com Raphael Salgado (CREFITO 4/167797F)


O Futebol Americano é, hoje, o esporte que mais cresce no Brasil entre praticantes e espectadores. Em 2014 eram 130 equipes existentes no Brasil (RODRIGUES et al., 2014), em 2018 já existem mais de 300 equipes (CBFA), sendo 72 equipes disputando as duas ligas nacionais, a Brasil Futebol Americano (BFA) e Liga Nacional de Futebol Americano (LNFA), que é a divisão de acesso.

Uma dificuldade das equipes de Futebol Americano no Brasil é o amadorismo dos atletas, que na sua maioria não vivem do esporte, trabalhando e estudando junto com a prática esportiva, o que “dificulta” a dedicação com o corpo que um esporte deste nível exige. 

Em função disto, um dos grandes problemas das equipes são as lesões. Estudos indicam que os joelhos e ombros são as regiões mais afetadas, sendo o contato direto entre os atletas o principal mecanismo de lesões (IGUCHI et al, 2013; DICK et al., 2007). E, na maioria das equipes, não existem profissionais responsáveis apenas por prevenir estas ocorrências.

O América Locomotiva não fugia deste quadro: em 2017, 48% da equipe principal se ausentou pelo menos 1 jogo na temporada em função de lesões, sendo que ela foi relativamente curta, com 6 jogos apenas. Além disto 75% da equipe treinava com dores. E, apenas 38% da equipe realizava alguma atividade preventiva por conta própria, não existindo na equipe um trabalho neste sentido.

Em 2018, foi criado o Programa de Prevenção de Lesões no Futebol Americano, projeto pioneiro no Futebol Americano brasileiro, sendo o Sócio SONAFE Raphael Salgado, o fisioterapeuta responsável pela coordenação do programa. 


O trabalho desenvolvido baseou-se primeiro no histórico dos atletas (lesões, posição, dores, atividades associadas, entre outros), associado aos dados colhidos através de avaliações funcionais de todo o elenco. Foram criadas quatro formas de intervenção: 


1-Exercícios individuais de prevenção - baseando-se em programas de prevenção já existentes, como o FIFA+ e CBB12, foi criada uma base de exercícios, onde os atletas foram orientados a fazer semanalmente os exercícios indicados a eles de acordo com suas necessidades, buscando melhora de possíveis déficits de estabilidade, mobilidade e força;


2- Exercícios em grupo – antes de todos os treinos e jogos o fisioterapeuta orientava exercícios de mobilidade, estabilidade articular, ativação central e ativações específicas para todos os atletas, durante aproximadamente 15 minutos; 


3- Acompanhamento de treinos e jogos - Orientando os atletas, agilizando o atendimento e retorno dos mesmos as atividades;

4- Trabalho de recuperação corporal (recovery) imediatamente pós atividades, agilizando recuperação corporal dos atletas e minimizando os efeitos lesivos das altas demandas dos jogos e viagens.


Resultados

Com estas atividades durante o ano, encontrou-se dados bem significantes ao fim da temporada:


Atuação da Fisioterapia Esportiva

A Fisioterapia Esportiva, principalmente na parte de prevenções de lesões, mostra-se uma grande aliada das comissões técnicas e equipes de gestão no crescimento do futebol americano brasileiro. Evoluir o trabalho do fisioterapeuta de “apenas” uma reabilitação, para a presença diária do profissional em campo, é fundamental, principalmente associado ao trabalho da equipe de preparação física.

O América Locomotiva é um exemplo disto. A presença da equipe nos Playoffs nacionais após 05 anos ausente, associado a diminuição das ausências dos atletas em função de lesões, demonstram o sucesso do programa.

Hoje ainda temos poucos estudos sobre o Futebol Americano no Brasil, sobre incidências de lesões e prevenção de lesões principalmente. Estes dados encontrados no América Locomotiva são indícios que programas de prevenção são eficazes neste esporte, mas se faz necessário estudos maiores, englobando várias equipes e atletas para confrontar os efeitos reais.


DICK, Randall et al. Descriptive Epidemiology of Collegiate Men’s Football Injuries: National Collegiate Athletic Association Injury Surveillance System, 1988–1989 Through 2003–2004. Journal of Athletic Training, [S.l.], v. 42, n. 2, p.221-233, jun. 2007.

IGUCHI, J. et al. Injuries in a Japanese Division I Collegiate American Football Team: A 3- Season Prospective Study. Journal of Athletic Training, [S.l.], v. 48, n. 6, p.818-825, dez. 2013.

RODRIGUES, F. X. F. et al. Futebol americano no país do futebol: o caso do Cuiabá Arsenal. Barbarói, Santa Cruz do Sul, n. 41, p.227-247, jun. 2014.



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