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O LCA não escolhe esporte

  • 3 de jun.
  • 3 min de leitura

Artigo produzido pela Comissão de Esportes de Luta - SONAFE Brasil

As lesões no MMA representam um importante problema dentro dos esportes de combate devido à elevada exigência biomecânica, à imprevisibilidade motora e à combinação entre impactos diretos, movimentos rotacionais e cargas articulares complexas. Dentro desse contexto, as lesões de joelho, especialmente do Ligamento Cruzado Anterior (LCA), vêm ganhando relevância crescente na literatura científica recente.

Embora o futebol seja historicamente associado às rupturas de LCA, o MMA apresenta mecanismos biomecânicos extremamente semelhantes, incluindo desaceleração rápida, mudança de direção, pivôs com o pé fixo no solo, rotação tibiofemoral e situações de instabilidade dinâmica durante golpes e defesas de queda (takedowns).

Além disso, estudos epidemiológicos recentes demonstram que o MMA possui uma das maiores taxas de lesão entre os esportes de combate, podendo atingir aproximadamente 246 lesões por 1000 horas de exposição em atletas profissionais. Observa-se ainda que o aumento da duração das lutas eleva progressivamente o risco de lesão, com incremento aproximado de 4% a cada minuto adicional de combate.

Outro aspecto relevante é que as lesões ligamentares no MMA apresentam forte associação com situações de grappling, onde predominam torques articulares, alavancas e movimentos rotacionais sob carga, diferentemente do striking, que está mais relacionado a traumas cranianos e concussões.

Objetivos

Os documentos tiveram como objetivo discutir, sintetizar e divulgar evidências científicas recentes sobre:

* incidência de lesões de joelho no MMA;

* prevalência de lesões ligamentares, especialmente do LCA;

* mecanismos biomecânicos envolvidos;

* diferenças entre striking e grappling quanto ao perfil lesional;

* fatores associados ao aumento do risco de ruptura do LCA;

* importância da fisioterapia esportiva na prevenção e controle neuromuscular dessas lesões.

Além disso, os textos utilizam o caso recente do atleta Carlos Ulberg como exemplo clínico e esportivo para demonstrar que rupturas de LCA não são exclusivas do futebol, estando também presentes em esportes de combate de alta demanda neuromuscular.

Métodos

Os materiais foram construídos a partir de revisão narrativa baseada em estudos epidemiológicos recentes sobre lesões no MMA, utilizando principalmente dados provenientes de artigos publicados em periódicos científicos internacionais da área esportiva e ortopédica.

Os documentos analisaram:

* incidência global de lesões no MMA;

* regiões anatômicas mais acometidas;

* mecanismos de trauma;

* diferença entre lesões em striking e grappling;

* mecanismos indiretos de ruptura ligamentar;

* relação entre treinamento e ocorrência de lesões.

Os principais mecanismos biomecânicos associados ao LCA descritos foram:

* pé fixo ao solo;

* valgo dinâmico;

* rotação interna;

* desaceleração mal controlada;

* instabilidade de base;

* defesa de quedas.

Os textos também destacam que aproximadamente 73% das lesões ocorrem durante os treinamentos, e não necessariamente durante as competições, sugerindo influência importante da carga acumulada, fadiga, repetição motora e exposição prolongada.

Além disso, os materiais discutem dados epidemiológicos indicando que:

* cabeça e pescoço são as regiões mais lesionadas;

* membros superiores aparecem em segundo lugar;

* membros inferiores e joelho permanecem consistentemente presentes entre as principais regiões lesionadas nos estudos epidemiológicos.

Conclusão

Os documentos concluem que o MMA apresenta elevada incidência de lesões musculoesqueléticas, sendo as lesões ligamentares de joelho, especialmente do LCA, uma preocupação relevante dentro do esporte.

Apesar da associação popular entre LCA e futebol, os mecanismos presentes no MMA reproduzem condições biomecânicas extremamente favoráveis à ruptura ligamentar, principalmente durante situações de grappling, defesa de quedas e movimentos rotacionais sob carga.

Outro ponto central é que o problema não parece estar exclusivamente relacionado ao esporte em si, mas principalmente à capacidade do atleta em controlar movimento, estabilidade e carga em ambientes imprevisíveis e altamente exigentes.

Dessa forma, os textos reforçam a importância da fisioterapia esportiva voltada para:

* controle neuromuscular;

* estabilidade dinâmica;

* treinamento preventivo;

* preparo físico específico;

* controle biomecânico sob fadiga;

* estratégias de prevenção de lesões ligamentares.

Os materiais também sugerem que futuras abordagens preventivas no MMA devem focar menos em evitar contato e mais em preparar o atleta para tolerar e controlar demandas biomecânicas complexas em situações reais de combate.

Referência:

THOMAS, R. E.; THOMAS, B. C. Systematic review of injuries in mixed martial arts. The Physician and Sportsmedicine, Philadelphia, v. 46, n. 2, p. 155–167, 2018.

GROESSING, Lukas et al. How Risky Is Mixed Martial Arts? Injury Rates and Patterns in Competitive Versus Recreational Athletes. Healthcare, Basel, v. 14, n. 3, p. 409, 2026.

ZACHOVAJEVAS, Vilius et al. Injuries in Mixed Martial Arts After Adoption of the Unified Rules of MMA: A Systematic Review. Orthopaedic Journal of Sports Medicine, [S.l.], v. 13, n. 7, 2025

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