Corrida e Dor no Joelho: O que a Evidência Científica Atual nos Mostra?
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Corrida e Dor no Joelho: O que a Evidência Científica Atual nos Mostra?
Durante muitos anos, a corrida foi apontada como uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento de dor e desgaste articular nos joelhos. Entretanto, o avanço das pesquisas nas últimas décadas tem demonstrado que essa associação não é sustentada pela literatura científica atual.
A osteoartrite de joelho é uma condição multifatorial, influenciada por fatores como idade, obesidade, histórico prévio de lesão articular, predisposição genética e ocupação. Nesse contexto, a corrida recreacional isoladamente não parece representar um fator de risco significativo para o desenvolvimento da doença.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada por Timmins et al. (2017) avaliou a associação entre corrida e osteoartrite de joelho, concluindo que não há evidências consistentes de que a prática da corrida aumente o risco de desenvolvimento ou progressão da osteoartrite. Os autores observaram, inclusive, menor risco de necessidade de cirurgia relacionada à osteoartrite em indivíduos com histórico de corrida. (PubMed)
Corroborando esses achados, Alentorn-Geli et al. (2017), em uma meta-análise envolvendo mais de 125 mil indivíduos, identificaram prevalência de osteoartrite de quadril e joelho de apenas 3,5% em corredores recreacionais, comparada a 10,2% em indivíduos sedentários. Em corredores competitivos submetidos a elevados volumes e intensidades de treinamento, a prevalência observada foi de 13,3%. Esses resultados sugerem que a prática recreacional da corrida pode exercer um efeito protetor sobre a saúde articular, enquanto exposições extremas e prolongadas podem estar associadas a maior prevalência de alterações degenerativas. (ovid.com)
Além disso, estudos mais recentes têm demonstrado que a cartilagem articular apresenta respostas adaptativas ao carregamento mecânico imposto pela corrida. A revisão sistemática de Coburn et al. (2023) mostrou que alterações observadas na cartilagem após a corrida são transitórias e compatíveis com mecanismos fisiológicos de adaptação tecidual, sem evidências de dano estrutural progressivo em joelhos saudáveis. (ScienceDirect)
É importante destacar que a presença de dor durante a corrida não necessariamente indica lesão estrutural. Muitas queixas estão relacionadas a fatores modificáveis, como erros de treinamento, aumento abrupto de volume ou intensidade, déficits de força muscular, alterações biomecânicas e recuperação inadequada.
Dessa forma, a mensagem baseada em evidências para profissionais da saúde e praticantes é clara: a corrida recreacional não deve ser considerada uma atividade prejudicial ao joelho. Pelo contrário, quando adequadamente prescrita e progressivamente realizada, pode compor uma estratégia eficaz para promoção da saúde, melhora da capacidade funcional e manutenção da integridade articular ao longo da vida.





