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Primeira Diretriz de Prática Clínica da SONAFE Brasil: recomendações para a reabilitação das lesões dos isquiotibiais

há 13 horas
4 min de leitura

A SONAFE Brasil apresenta sua primeira Diretriz de Prática Clínica, dedicada à reabilitação das lesões por estiramento dos isquiotibiais. Desenvolvido por um grupo de trabalho convocado pela Sociedade, o documento reúne evidências científicas sobre a efetividade de intervenções fisioterapêuticas e apresenta recomendações para apoiar a tomada de decisão clínica no tratamento de atletas.

As lesões dos isquiotibiais estão entre as lesões musculares mais prevalentes em modalidades esportivas que exigem corrida em alta velocidade, como futebol, rúgbi, futebol americano, futebol australiano, beisebol, basquete, futsal e atletismo. Geralmente, ocorrem durante atividades de alta demanda que envolvem sobrecarga muscular e/ou alongamento excessivo.

Mais de 80% das lesões por estiramento dos isquiotibiais são classificadas como de gravidade mínima a moderada, resultando em períodos de afastamento do esporte de até quatro semanas. Nesse cenário, a escolha das intervenções, a progressão dos exercícios e os critérios de retorno ao esporte são aspectos relevantes para o planejamento da reabilitação.

A primeira Diretriz de Prática Clínica da SONAFE Brasil concentra-se na efetividade de intervenções não cirúrgicas, não invasivas e não farmacológicas no âmbito da Fisioterapia Esportiva. Entre as abordagens analisadas estão exercícios terapêuticos, terapia manual, agentes eletrofísicos e educação do paciente. O documento reúne 11 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 551 atletas. Iniciado em 2024, o projeto resultou na publicação em um periódico internacional de referência representa um avanço importante para a SONAFE Brasil e reforça o compromisso da Sociedade com a produção científica, a prática clínica baseada em evidências e o fortalecimento da Fisioterapia Esportiva brasileira no cenário mundial.


Nosso reconhecimento e agradecimento aos autores que dedicaram conhecimento, experiência e muitas horas de trabalho à construção desta diretriz:


Bruno Manfredini Baroni, Rodrigo Ribeiro de Oliveira, Albino Luciano Abreu Pereira, Felipe Coimbra Meira, Filipe Abdalla dos Reis, Flavio Fernandes Bryk, Luiz Hespanhol, Katherinne Ferro Moura Franco, Larissa Santos Pinto Pinheiro, Natalia Franco Neto Bittencourt, Aline Carla Araújo Carvalho, Daniel Ferreira Moreira Lobato, Fábio Carlos Lucas de Oliveira, Rodolfo Borges Parreira, Veronica Colpani e Cynthia Gobbi Alves Araújo, que conduziu com maestria cada etapa.


A seguir, confira as seis recomendações apresentadas no material da Diretriz.

Recomendações para a reabilitação das lesões dos isquiotibiais



1. Programa de reabilitação organizado em fases com critérios de progressão Mendiguchia, 2017; Ghosh, 2025.

Embora a organização em fases com progressão baseada em critérios não tenha influenciado o tempo de retorno ao esporte após a lesão de alto impacto, essa abordagem parece estar associada a uma menor incidência de recorrência e pode contribuir para a redução da dor, ganho de força muscular e melhorias na função autorrelatada.

2. Dor durante o exercício Hickey, 2020.

Sugerimos que os exercícios podem ser realizados com dor leve a moderada (≤4 na escala numérica de 0 a 10 de avaliação da dor) em programas de reabilitação para atletas com HSI, desde que a dor seja monitorada consistentemente e aceita pelo atleta.

Não houve diferença entre os grupos para retorno ao esporte com média de 15 dias no grupo com dor e 17 dias no grupo sem dor. Grupo com dor mostrou melhor força de IT.

3. Exercícios excêntricos

Askling, 2014; Askling, 2013; Vermeulen et al., 2022.

Sugerimos que exercícios excêntricos sejam incluídos em programas de reabilitação para atletas com HSI e que sejam introduzidos precocemente, na primeira semana após a lesão (de 3 a 6 dias), desde que os sintomas, a capacidade funcional e a progressão individualizada sejam respeitados.

Os atletas que realizaram exercícios excêntricos atingiram os critérios de retorno ao esporte em média, 28,3 dias mais cedo (IC 95%, 15,0-41,6) do que aqueles que realizaram exercícios convencionais.

O grupo de início precoce apresentou maior pico de torque excêntrico isocinético dos isquiotibiais, sem diferenças no pico de torque concêntrico, no desempenho do teste nórdico de força dos IT, na amplitude de movimento ou nas escalas de prontidão.

4. Exercícios de progressão de agilidade e estabilização de tronco (PATS)

Sherry and Best, 2004; Silder, 2013; Ghosh.

Sugerimos incluir o PATS no programa de reabilitação de IT.

Sherry e Best, que alocaram 24 atletas com lesão de ITs a um programa progressivo de alongamento e fortalecimento dos músculos isquiotibiais x um programa de exercícios PATS.

O tempo de retorno ao esporte não diferiu significativamente entre os grupos (diferença média, 15,2 dias; IC 95%, −3,8 a 34,2). No entanto, o grupo PATS demonstrou uma menor incidência de recorrência em 2 semanas (0 de 13 participantes vs. 6 de 11 participantes; 0% vs. 55%) e em 12 meses (1 de 13 participantes vs. 7 de 11 participantes; 8% vs. 64%) após o retorno ao esporte.

5. Alongamento estático

Malliaropoulos, 2004; Sefiddashti, 2018.

O painel considerou que não havia evidências suficientes para recomendar o uso de exercícios de alongamento estático em programas de reabilitação para atletas com lesão IT.

Malliaropoulos - Metade dos participantes realizou alongamento estático dos músculos isquiotibiais (4 séries de 30 segundos) uma vez ao dia, e a outra metade repetiu o mesmo protocolo 4 vezes ao dia. O tempo para retorno ao esporte foi 1,8 dias menor (IC 95%, 1,5-2,0) no grupo que realizou 4 sessões diárias de alongamento.

Sefiddashti et al randomizaram 37 atletas com HSI para um protocolo de reabilitação padrão com ou sem alongamento estático (3 séries de 30 segundos), realizado após a aplicação de crioterapia, 4 a 5 vezes por dia durante 5 dias consecutivos. Os resultados pós-intervenção demonstraram efeitos triviais para dor em repouso e durante atividade, bem como para amplitude de movimento e função autorrelatada.

6. Uso da fotobiomodulação

Medeiros, 2020.

O painel considerou que não havia evidências suficientes para recomendar a incorporação da terapia de fotobiomodulação em programas de reabilitação para atletas com lesão de alto grau.

A publicação da primeira Diretriz de Prática Clínica da SONAFE Brasil representa um marco na produção científica da Sociedade e amplia o acesso dos fisioterapeutas esportivos a recomendações fundamentadas em evidências.

Consulte o documento original para conhecer a metodologia, os estudos analisados e as recomendações completas. Acesse AQUI


 
 
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