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O papel do ciclo menstrual nas lesões do LCA em atletas

há 18 horas
3 min de leitura

O ligamento cruzado anterior (LCA) apresenta um papel fundamental na estabilização do joelho, além de ser o ligamento com mais estudos publicados dessa articulação. É composto principalmente por fibras de colágeno, que conferem ao ligamento resistência às forças e aos movimentos aos quais o joelho é submetido.

O mecanismo mais comum de lesão do LCA é o trauma indireto, especialmente em esportes que envolvem mudanças rápidas de direção, desacelerações, saltos e aterrissagens, como futebol, voleibol e handebol. A incidência de lesões do LCA é maior em mulheres atletas quando comparada aos homens em especial com idades mais jovens.

Existem diversos mecanismos e fatores de risco envolvidos para que essa lesão aconteça, formando uma complexa rede de possibilidades. Diante disso, surge uma pergunta: será que as oscilações hormonais que ocorrem durante o ciclo menstrual também podem participar desse processo?

O ciclo menstrual é um processo fisiológico que ocorre durante a vida reprodutiva da mulher e apresenta variações individuais em sua duração podendo durar em média 28 dias, sendo que em alguns casos pode ser mais. De forma geral, podemos dividi-lo em diferentes fases: menstrual, folicular, ovulatória e lútea. Durante essas fases, ocorre uma variação significativa na concentração de hormônios, principalmente estrogênio, progesterona, LH e FSH.

Alguns estudos sugerem uma maior incidência de lesões do LCA durante determinadas fases do ciclo menstrual, especialmente nas fases folicular e ovulatória, onde os níveis de LH e estrogênio estão em alta. Uma das possíveis explicações para essa associação está na presença de receptores do estrogênio presentes no LCA, pois o estrogênio pode influenciar o metabolismo do colágeno e as propriedades mecânicas dos tecidos conjuntivos, atrapalhando assim o remodelamento do colágeno.

Outro hormônio que merece atenção é a relaxina. Durante a fase lútea, seus níveis podem apresentar alterações, e esse hormônio está relacionado ao metabolismo da matriz extracelular e do tecido conjuntivo, pois ela promove a liberação de enzimas que atrapalham o processo de remodelamento.

Não podemos afirmar que o ciclo menstrual, isoladamente, seja responsável pelas lesões do LCA em mulheres atletas. O que podemos considerar é que as alterações hormonais podem representar um dos possíveis fatores envolvidos em uma condição multifatorial, que também inclui fatores biomecânicos, neuromusculares, anatômicos, ambientais e relacionados à carga de treinamento.

Nesse contexto, o fisioterapeuta esportivo pode considerar o ciclo menstrual como uma informação adicional no acompanhamento da atleta, especialmente quando associado a outros fatores de risco. O monitoramento individualizado pode ajudar na compreensão das respostas da atleta ao treinamento e na identificação de possíveis períodos de maior vulnerabilidade, sem assumir que uma determinada fase do ciclo determine, por si só, o risco de lesão. Por: Comissão de Saúde e Atividade Física da SONAFE Brasil


Referências:

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Zazulak BT, Paterno M, Myer GD, Romani WA, Hewett TE. The effects of the menstrual cycle on anterior knee laxity: a systematic review. Sports Med. 2006;36(10):847-62. doi:10.2165/00007256-200636100-00004.

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